Eis um mito um pouco mais complexo de quebrar, mas vamos lá. Por muitos anos a área da ergonomia estudou a possibilidade de uma postura sentada que poderia salvar a pátria dos nossos compadres que trabalham sentados, mas partir da possibilidade que a postura sentada era o problema foi o grande erro. Ao contrário da crença comum, não existem evidências suficientes para afirmar que o hábito de sentar seria um fator relacionado com a dor lombar, e as evidências existentes mostram baixa associação. Nosso mundo nos impulsiona a ter um estilo de vida sedentário que envolve ficar muito sentado, mas isso não significa que ficar sentado, por si, seja causa da dor lombar. Os índices nos últimos tempos de dor lombar não mudaram, nem com cadeiras ergonômicas, nem com cadeiras normais, com rodinha, com apoio, sem apoio, de balanço, qualquer cadeira, e para dizer a verdade os índices de lombalgia só subiram. Além disso, foram tentados postos de trabalho em pé e sentar dinâmico (bola de pilates), que também não funcionaram. A lista de tentativas em solucionar o problema foi bem grande, aparentemente a posição estática por muito tempo não é benéfica, nem em pé, nem sentado. As estratégias ergonômicas deveriam focar mais em políticas de bem estar dentro da empresa com programas de riscos ergonômicos, pausas adequadas, programas de prevenção, treinamento e palestras para funcionários do que focar nas cadeiras mais caras ou mais bonitas. A cadeira deve ser confortável e durável para que o trabalhador faça sua função de modo confortável e eficaz, mas afirmar que um tipo específico pode prevenir dor nas costas é um verdadeiro mito.
Vale lembrar que o maior valor de uma empresa são seus colaboradores, aquelas que valorizam seu profissional são estrategicamente mais fortes e têm melhores resultados.
About The Author
Jonas
Fisioterapeuta, formado na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI - campus de Erechim), no ano de 2011, pós graduado em 2020 no curso de fisioterapia em ortopedia e traumatologia pela mesma instituição. Formações em algumas metodologias de terapia manual, métodos de exercícios e prática baseada em evidência.Trabalho em consultório próprio e como facilitador do Curso FBA (Funcionalidade, biologia evolutiva e Antropologia).